segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

Micro e Macro

  O mundo calou. Ficou mudo e já não grita por sua vida. O mundo caiu. Perdeu-se na vastidão do Universo, e com isso, perdeu-se a si mesmo. O mundo faliu. Denegriu a sua imagem perante todos que o observavam.
  A partir do momento que o homem ficou cego, o mundo também ficou. Calam as suas vozes. Calam as suas súplicas e protestos em prol de que? Subornam os seus próprios egos e acreditam em suas próprias mentiras. Caem em suas próprias armadilhas.
  O homem desistiu. O mundo também.

quinta-feira, 29 de dezembro de 2011

Goofy

1984

"A sensação de estar vagando pelas florestas do fundo do mar, perdido num mundo monstruoso em que o monstro era ele próprio."

sábado, 17 de dezembro de 2011

Até Amanhã


O tempo passa e a história muda. O homem muda e o coração se perde. O homem cala e a mente enlouquece. O homem se esquece como fora no passado.
Regride.
Comete os próprios, mesmos e insanos erros.
Regride, regrediu.
Com o tempo, desintegra-se. Perde-se, agora, não apenas o coração, mas por inteiro. Perde-se na velha generalização social. Esqueceu-se e dormiu como outro alguém qualquer.
Boa noite sociedade.

quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

Cobertas de Pó

Aquele labirinto existencial, que antes estava perdido no nada, agora está apoiado na dúvida. Eu, antes perdida no nada, agora, perdida na dúvida. Antes perdida no vazio, agora perdida na incerteza.
E em meio a apegos e desapegos, me vejo, ironicamente, cega. Lembranças, que agora, não passam de lembranças. Memórias fotografadas, que com o tempo, irão se encher de pó, e serão esquecidas.
Logo serão apenas memórias perdidas na dúvida, assim como eu própria me tornei. 

segunda-feira, 21 de novembro de 2011

Além do Comum

Os fios telefônicos que atravessavam o céu aquela manhã, não tiravam a beleza da cena contemplada pela menina, através das janelas de sua casa, agora cobertas pelas cortinas, que lhe faziam o favor de manter pequenas frestas, para que assim, a garota pudesse ter aquela visão, que lhe acompanharia em seus inúmeros sonhos.
O que seus olhos contemplavam, de certa forma, era algo simples. Talvez usual. O que não é tão comum é alguém que ainda observe o céu.
Visão simples: o céu.
No entanto, a menina enxergava ainda mais longe: as nuvens que estavam por todo o céu dando-lhe um aspecto pálido, mas ainda dando lugar ao azul, que refletia toda a ideia de imensidão e calmaria.
O sol que despertava em algum lugar atrás das nuvens. Algum lugar atrás do azul. Apenas uma mancha amarela que, aos poucos, ia se misturando às outras cores que compunham a paisagem.
Por fim, os olhos da menina refletiam o que havia além dos fios telefônicos: os pássaros descontrolados, em uma corrida sem linha de chegada.
A garota observava. Em seus olhos, o sono. Em seus lábios, um sorriso. Em sua mente, uma música.

"The sun is up, the sky is blue
It's beautiful and so are you." (Dear Prudence - The Beatles) 

quarta-feira, 16 de novembro de 2011

Término

O cotidiano se arrasta pelo mundo afora. A música, as vezes, alta demais, toca sem cessar durante todo o percurso. O clima de final do dia está estampado no rosto daqueles que, diariamente, se veem mortos, ou próximos do fim.
A nudez de seus pensamentos, deixa explicito em suas faces, quão exaustos estão. Não importa. São fracos demais. Os fortes não se cansam, certo?!
As pessoas formavam uma multidão esmagada. Como animais, lutavam ferozmente pelo seu território. Pelo seu pedaço de terra. Ou pelo seu assento e um espaço dentro do ônibus.
Como uma guerra, era tudo uma questão de sobrevivência.
O céu está pegando fogo. O sol se esconde atrás dos enormes edifícios, em uma tentativa de melhorar o dia, com uma bela paisagem. Porém o fogo aquece o céu. O céu desaba. O céu desaba sobre as cabeças daqueles que seguem a rotina sofrida.
   O cotidiano se estende pela sociedade adentro. O cotidiano se arrasta pelo corpo adentro.