sexta-feira, 2 de março de 2012

Depois da Meia-Noite

 A noite me tomou. Me prendeu e me arrastou para junto dela. Estou presa nessa meia-noite. Estou presa nessa vida alheia. Estou presa em meus próprios pés.
 Enquanto a hora se esvai, permaneço. Continuo brincando com os ponteiros do relógio. O tempo continua brincando comigo. Os ponteiros olham para cima. É sempre meia-noite. E a meia-noite não passa com o tempo, não passa com a hora. 
 A meia-noite permanece e eu permaneço com ela.
 Eu estou presa nessa meia-noite.

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012

Rumo Ao Sol

 A estrada levava todos ao mesmo lugar. A luz dourada cegava-nos enquanto íamos em direção ao sol. 
 Compartilhavam todos, a mesma esperança, ansiávamos por encontrar um mundo melhor. No entanto, todos cegos, nãos viam que iríamos nos queimar. 
 E a estrada era de mão única. Estavam todos indo em direção ao sol.

segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

Micro e Macro

  O mundo calou. Ficou mudo e já não grita por sua vida. O mundo caiu. Perdeu-se na vastidão do Universo, e com isso, perdeu-se a si mesmo. O mundo faliu. Denegriu a sua imagem perante todos que o observavam.
  A partir do momento que o homem ficou cego, o mundo também ficou. Calam as suas vozes. Calam as suas súplicas e protestos em prol de que? Subornam os seus próprios egos e acreditam em suas próprias mentiras. Caem em suas próprias armadilhas.
  O homem desistiu. O mundo também.

quinta-feira, 29 de dezembro de 2011

Goofy

1984

"A sensação de estar vagando pelas florestas do fundo do mar, perdido num mundo monstruoso em que o monstro era ele próprio."

sábado, 17 de dezembro de 2011

Até Amanhã


O tempo passa e a história muda. O homem muda e o coração se perde. O homem cala e a mente enlouquece. O homem se esquece como fora no passado.
Regride.
Comete os próprios, mesmos e insanos erros.
Regride, regrediu.
Com o tempo, desintegra-se. Perde-se, agora, não apenas o coração, mas por inteiro. Perde-se na velha generalização social. Esqueceu-se e dormiu como outro alguém qualquer.
Boa noite sociedade.

quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

Cobertas de Pó

Aquele labirinto existencial, que antes estava perdido no nada, agora está apoiado na dúvida. Eu, antes perdida no nada, agora, perdida na dúvida. Antes perdida no vazio, agora perdida na incerteza.
E em meio a apegos e desapegos, me vejo, ironicamente, cega. Lembranças, que agora, não passam de lembranças. Memórias fotografadas, que com o tempo, irão se encher de pó, e serão esquecidas.
Logo serão apenas memórias perdidas na dúvida, assim como eu própria me tornei.